Parece-me neste momento óbvio que a diáspora portuguesa tem sido sistematicamente desconsiderada no seu potencial de criação de riqueza e desenvolvimento (excepções feitas aos artistas que partem em digressão pelo mundo e aos programadores das estações de televisão por altura do Verão).
Para além dos preconceitos generalizados em relação à figura do emigrante, através dos quais foi ao longo dos anos atribuída à caricatura estética uma primazia despropositada na caracterização do expatriado, assiste-se a um desinteresse despudorado por um terço da população portuguesa ou de origem portuguesa (estatísticas não oficiais apontam para algo como 5 milhões de expatriados portugueses espalhados pelo mundo).
Em 2010 os emigrantes portugueses enviaram 2,4 mil milhões de euros em remessas para Portugal. Em termos percentuais talvez pareça pouco mas lembremo-nos que este é um montante líquido (não há qualquer contrapartida ou custo associado) gerado por indivíduos (contrariamente ao PIB, que inclui a produção das empresas).
O que poderia esta massa humana, composta em grande parte por pessoas que tiveram a ousadia de arriscar tudo, deixar o seu país e criar riqueza em terras alheias, contribuir se acreditasse que podia fazer a diferença?
Nuno
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